terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Um soul para a revolução




 

 A Aşa é uma nigeriana que, pelo visto, é muito mais do que candidata à diva do soul moderno aqui por essas bandas. Ela canta em inglês e também em Yoruba, uma das muitas línguas faladas na Nigéria, e toca sua carreira fazendo a ponte Lagos-Paris. De passagem por Berlim no último fim de semana para divulgar o segundo disco, o Beautiful Imperfection, ela chamou a atenção da mídia alemã pelo tom politizado de suas letras.

Na canção "Broda Olé"  Aşa fala de um governo corrupto que pode estar com os dias contados. Mera coinscidência? Parece que sim, mas a imprensa  não exitou em dizer que, se os últimos acontecimentos no Egito fossem representados por uma voz, a nigeriana certamente poderia ser o símbolo musical desta revolução



domingo, 20 de fevereiro de 2011

Alemães apostam no "Red Bull da Amazônia"


Já faz um tempinho que eu descobri a Schwarze Dose 28  por aqui, porém o que me chamou a atenção nos últimos dias foi o anúncio em uma revista na qual a empresa, que leva o mesmo nome do produto, oferece um job a quem tiver interesse em exercitar sua criatividade para divulgar a marca. 

No anúncio de página inteira, há ofertas de trabalho nas áreas de design, arte, fotografia, música e literatura .  Da mesma forma como o produto é vendido no eixo centro-sul do Brasil, a idéia dos alemães, ao que parece, é apostar no produto como fonte de energia para o corpo. Para eles ,com "o enérgético natural a base de açaí", o dia pode ter 28 horas ao invés de 24.

Divergências sobre efeitos à parte, pois como paraense nunca verei o açaí como energético, acho que muitos amigos talentosos do norte ganhariam uma boa grana vendendo um produto que nós conhecemos melhor do que ninguém, não é mesmo?

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Documentário mostra a Sinfônica de Kinshasa para o mundo

Se a música é realmente um alimento para alma e um instrumento de transformação social, ninguém melhor do que os integrantes da Orquestra Sinfônica Kimbanguista (OSK) para confirmar a teoria. O talento e a história de vida desses músicos que vivem na cidade de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, emocionaram o mundo ao serem transformados em um filme.

O documentário "Kinshasa Symphony", produzido pelos alemães Claus Wischmann e Martin Baer teve sua premiere em 2010, durante o Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale) e já arrebatou vários prêmios da crítica alemã e internacional.

O filme de 95 minutos mostra o cotidiano da única orquestra sinfônica da África subsaariana criada há 15 anos pelo regente Armand Diangienda, neto do mártir congolês e fundador da igreja Kimbanguista, Simon Kimbangu.

 Mais de 200 instrumentistas e cantores formam a OSK

Para concretizar o projeto, os dois alemães acompanharam os músicos durante um ano e o resultado gerou um filme que, como os próprios diretores definem, aborda não apenas a música, mas fala do país e das pessoas na Kinshasa de 10 milhões de habitantes.

Em 15 anos de existência, a orquestra já sobreviveu dois golpes militares, uma guerra e várias crises. No entanto, as dificuldades do cotidiano enfrentadas por músicos autodidatas que sobrevivem como carpinteiros, vendedores ambulantes, eletricistas, entre outros ofícios, talvez seja o aspecto mais comovente para quem passa a conhecer a história do grupo.

Improvisação sempre foi a palavra de ordem dentro da orquestra. Um aspecto que o luthier autodidata Albert Matubanza conhece muito bem. Ele é o responsável pela fabricação e reparo dos modestos instrumentos que os músicos possuem. Albert usou a curiosidade e o talento, por exemplo, para fabricar contrabaixos a partir do único modelo existente no país após a guerra civil.

Mesmo com todas as dificuldades, a qualidade do trabalho em Kinshasa é capaz de comover as mais renomadas ensembles da Europa. No repertório, clássicos que vão de Bolero de Ravel a Nona Sinfonia de Beethoven. Junto com os instrumentistas, as vozes do coro formam o grupo com mais de 200 integrantes.

A arte em contraste com a pobreza presente na RDC
Com o sucesso do documentário, o dia a dia improvisado da Sinfônica Kinbanguista parece estar com os dias contatos. Desde a estreia do filme nos cinemas alemães, as doações financeiras de apoio à orquestra africana não param. Uma página na internet também foi criada para que expectadores comuns pudessem ajudar. O resultado foi surpreendente.

Desde que se tornou conhecida, orquestras do mundo inteiro tentam fazer contato com a OSK. Convites para apresentações na Europa, doações de instrumentos e workshops de aperferçoamento musical não param de chegar. O regente Diangienda enfatiza, porém, que o apoio de fora não deve significar uma ajuda de caridade, mas principalmente um interesse e reconhecimento pelo trabalho do grupo.

No trailer do filme, os trechos da cantata de Carl Orff interpretadas pelo coro já são suficientes para emocionar mesmo quem não tem interesse por música clássica. Tomara que, assim como em Carmina Burana, as rodas da fortuna também girem a favor dos músicos de Kinshasa. Por uma questão de merecimento...


                                                                          

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Passeata em Berlim reuniu mais de 200 egípcios no fim de semana

Em apoio às manifestações populares que ocorrem no Egito há sete dias, egípcios que vivem na Alemanha estiveram reunidos em Berlim neste domingo (30.01) em uma passeata que saiu da Praça de Potsdam em direção à embaixada do país na capital alemã.

Com cartazes e bandeiras, os manifestantes exigiam a renúncia do presidente Hosni Mubarak, que governa o país há 30 anos, além da libertação dos presos políticos. Eles também fizeram uma homenagem com flores em memória às vítimas mortas durante as revoltas populares. Desde a semana passada, mais de cem pessoas já morreram, principalmente, em decorrência de confrontos com as forças militares.

De acordo com o cientista político Atef Botros, um dos organizadores da passeata, o dia 25 de janeiro já é considerado historicamente o primeiro dia da revolução que acontece no país. Para ele, as atuais revoltas populares não representam um passo para um processo de islamização no país.

 “Os movimentos de protesto são atos civis e seculares. As pessoas que saem às ruas não possuem ideologia ou qualquer programa religioso. Elas querem democracia”, afirma o cientista egípcio.

De Berlim, Botros e seus companheiros mandaram três mensagens distintas  Aos compatriotas: “Sigam adiante e não aceitem a solução pela metade”. Ao mundo: “As pessoas estão com medo dos bandos nas cidades egípcias, pois os criminosos se aliaram à polícia. Aos governos europeus: “Parem de cooperar com semelhantes déspotas como Mubarak”, declarou o cientista em nome dos egípcios residentes na Alemanha.

Segundo o divulgado pela imprensa alemã, a chefa de governo Angela Merkel pediu ao presidente egípcio que dialogue com os movimentos populares e tome providências em relação à violência provocada confrontos.

Desde sexta-feira, já era grande a movimentação próximo à Embaixada do Egito em Berlim. Cerca de 300 pessoas já manifestavam apoio aos movimentos populares no Egito. A polícia informou que as manifestações em Berlim ocorreram de forma pacífica e sem incidentes.

Fonte: http://www.dw-world.de (em alemão)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Sonzinhos que amamos!

O Peter Fox foi uma das primeiras figuras musicais na Alemanha de quem realmente me tornei fã. Mesmo tendo o hip hop como pano de fundo do trabalho solo, o berlinense é um daqueles artistas que não dispensa uma pitada de outros gêneros musicais para conquistar um público diferenciado.

Talvez a versatilidade deste ruivinho (daí o apelido Foxi) se explique antes mesmo de sua bem sucedida carreira musical. Ele frequentou o ginásio francês e interrompeu um curso para fabricar...pianos!!! Uma das cabeças da banda alemã Seeed , Peter Fox lançou seu primeiro álbum solo em 2008 (Stadtaffe), conquistando de vez os alemães, arrebatando prêmios de música e ganhando fãs também em países vizinhos como Áustria, Suíça e Holanda.

Em julho de 2009 Peter Fox anunciou o fim de sua carreira solo relâmpago (snif!) em função da retomada de seus trabalho junto à banda Seeed. Dois concertos de despedida em Berlim marcaram o fim desta fase e eu, infelizmente, perdi a oportunidade de vê-lo ao vivo :(

Ouvi dizer por aí que já tem brasileiro curtindo o som desta figura. E vamos combinar, não é preciso entender alemão pra perceber o som descoladinho que ele faz.

                                                              




quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Ativista gay é brutalmente assassinado em Uganda

David Kato, o maior ativista dos direitos homossexuais em Uganda foi brutalmente assassinado em sua própria casa nesta quarta-feira (26.01), no subúrbio de Kampala, capital do país.

De acordo com o advogado que acompanha o caso, alguns vizinhos chegaram a ver um carro estacionar na frente da casa de David, e em seguida, um homem teria entrado e saído rapidamente do local. Poucos minutos depois, eles encontraram o ativista agonizando com ferimentos muito graves na cabeça. Ele foi levado para o hospital, mas não resistiu.

A polícia, no entanto, disse que ainda não pode afirmar se David Kato foi assassinado por causa de sua orientação sexual ou se o assassinato teve outras motivações. Eles disseram também que uma série de outros crimes com características semelhantes ocorreram recentemente naquele subúrbio.

Em novembro de 2010, Kato havia entrado um processo contra um tablóide de Uganda chamado Rolling Stones, pelo uso de sua imagem na capa do jornal com o título “Hang Them”. Na foto, o ativista aparece apenas como uma sunga de banho.

A Uganda é um dos países com o maior nível de discriminação e intolerância contra homossexuais no mundo. Recentemente, uma lista com nomes e endereços de gays e lésbicas começou a ser divulgada amplamente pelo país. Desde então, estas pessoas passaram a ser perseguidas e ameaçadas de morte.

David Kato já enfrentava os tribunais de Uganda por sua militância dentro da ONG Sexual Minorities Uganda (SMUG). A relação entre pessoas do mesmo sexo no país é considerada ilegal.

Michelli Kagara, vice-diretora da Anistia Internacional para a África criticou o governo de Uganda pela morte de Kato. Para ela, o modo suspeito com que o governo silencia sobre a questão da discriminação de homossexuais no país é preocupante.

Há um ano, o parlamento ugandense tentou aprovar um projeto que endurecia ainda mais as leis que criminalizam as relações sexuais no país. A pena de morte para estes casos também foi sugerida. O projeto só não foi aprovado, por enquanto, porque alguns países ameaçaram cortar o auxílio financeiro à Uganda.


 Neste blog também é possível acompanhar a luta do movimento GLBT em Uganda